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"EU TAMBÉM SOU UM ANJO" – POR DENTRO DO PROCESSO CRIATIVO PARA YEBO!



Preciso começar dizendo que este projeto foi desafiador. Sentar com o cliente para entender suas ideias — muitas vezes conceituais, abstratas e quase filosóficas — já é um processo complexo por si só. Mas, neste caso, tudo girava em torno do universo esotérico. Por sorte, sempre tive uma queda por esse tipo de tema, mesmo assim, foi uma experiência nova quando colocado dentro do universo visual de um fashion film.


Esse processo aconteceu em 2023. A marca se preparava para lançar sua nova coleção e precisava alinhar o conceito das peças — ousadas, autênticas e pensadas para empoderar — com a narrativa do Fashion Film. O nome e o fio condutor da coleção já estavam definidos: “Eu também sou um anjo”, inspirado na Lei da Correspondência, uma das 7 Leis Herméticas (clique aqui se quiser saber mais).


A questão era: como transformar essa ideia em linguagem visual?


Futucando arquivos da época pra escrever esse texto, encontrei o primeiro documento que abri naquele dia — 12 de novembro de 2023, às 10h06. E o que eu vou compartilhar aqui talvez ajude quem está começando na área da direção criativa.


A primeira palavra que escrevi foi: CONTEXTO. Ali despejei tudo o que tinha de informação sobre o momento da marca, seus objetivos, posicionamento e os sentimentos que ela queria evocar. Logo em seguida, fui para a próxima etapa...


DESAFIOS - Abri esse bloco com a frase: “Criar uma narrativa que se comunique sem barreiras com o público.” E fui listando os obstáculos de traduzir um conceito que, muitas vezes, não faz parte do imaginário coletivo.


Depois disso, mergulhei em algo essencial...


DISSECANDO O CONCEITO PELO OLHAR DO CLIENTE - Eu ainda não dominava completamente o tema, então fiz o exercício de olhar com mais profundidade para o que havia captado nas reuniões com o cliente. Completei com pesquisas — trechos de livros, vídeos no YouTube, anotações soltas — e escrevi como se estivesse explicando tudo para outra pessoa. Foi um jeito de organizar as ideias e enxergar novas possibilidades. E, por fim...


MINHA FUNÇÃO - Comecei esse trecho dizendo: “Alinhar os conceitos apresentados de forma a facilitar a ponte de entendimento com o público da marca.” Depois, listei os objetivos que eu gostaria de alcançar ao final do trabalho. (Spoiler: deu bom!)


Todo esse processo terminou às 11h34. Foi um período curto de imersão, mas o suficiente pra clarear o caminho. Já conseguia pensar nos argumentos criativos, na narrativa visual e, principalmente, ganhei segurança pra criar.


A partir daí, fui conectando o que já tinha em mãos:

  • A marca carrega uma forte relação com o universo urbano e com a cidade de São Paulo;

  • Quer transmitir a sensação de respiro em meio à correria do dia a dia — as peças acompanham esse ritmo, mas também convidam à pausa, ao cuidado;

  • E claro: “O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima”;

  • E o nome da coleção “Eu também sou um anjo.”


Comecei, então, a explorar signos imagéticos que pudessem traduzir essas ideias de forma visual. Pensando nessa atmosfera urbana, o concreto de São Paulo — a cidade de pedra — apareceu como base. Em contraste, veio o respiro, a vida, o ser... e então visualizei plantas. Foi daí que nasceu o primeiro MoodBoard.




(Um conjunto de esculturas minimalistas feitas de concreto e elementos naturais. As estruturas geométricas de concreto, algumas inteiras e outras fragmentadas, estão cobertas por musgos, plantas trepadeiras e flores. A vegetação cresce sobre e ao redor dos blocos, criando um contraste entre a rigidez urbana do concreto e a fluidez orgânica da natureza. A paleta de cores é neutra, com tons de cinza e verde predominantes. A composição evoca a relação entre cidade e natureza, destacando a resiliência das plantas que brotam em meio ao material bruto.)


Já sobre a citação hermética, mesmo entendendo seu significado mais profundo, achei que seria interessante trazê-la de forma mais literal no filme — tanto pelo impacto estético quanto pela clareza da mensagem. Propus, então, que o cenário fosse um rooftop no topo de São Paulo, com o início do filme sendo captado por um drone. Assim, abriríamos com o céu, o sol, o alto... até a câmera descer para o que está abaixo: os anjos, vestindo as peças da coleção.






Pra completar, contribuí também com uma ideia para os cabelos. Inspirado no trabalho da artista @laetitiaky, sugeri que fossem feitas esculturas capilares — traduzindo o empoderamento que já está no DNA da marca e de suas fundadoras.



(Montagem comparativa composta por seis retratos, exibindo penteados afro tradicionais e suas releituras contemporâneas. Na linha superior, três imagens históricas em preto e branco retratam mulheres africanas com penteados elaborados, volumosos e escultóricos, representando estilos ancestrais. Na linha inferior, três mulheres negras contemporâneas posam com recriações modernas desses mesmos penteados, feitos com cabelo natural. As fotos atuais são coloridas, com fundo bege, e as modelos usam brincos dourados e vestidos pretos simples. A imagem destaca a continuidade e reinvenção da estética afro ao longo do tempo, celebrando a herança cultural africana e a beleza dos cabelos crespos.)


Agora sim: confira o Fashion Film completo!



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